Português Italian English Spanish

Chance de Lula vencer no 1º turno muda desenho do jogo para 2022

Chance de Lula vencer no 1º turno muda desenho do jogo para 2022


Por: Yahoo Notícias

Former Brazil’s President Luiz Inacio Lula da Silva speaks at Forca Sindical Congress in Sao Paulo, Brazil, December 8, 2021. REUTERS/Carla Carniel

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Fotos: Carla Carniel/Reuters

A vantagem de 27 pontos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Jair Bolsonaro (PL), apontada pela pesquisa Ipec divulgada na terça-feira 14, é um retrato do momento político que altera os rumos da cada vez mais próxima eleição presidencial. O ex-presidente larga hoje com 48% dos votos, o suficiente para resolver a parada sem prorrogação.

A essa altura, quem sonhou em concorrer como terceira via e acordou como nanico já revê a disposição em botar o carro na pista. Vale a pena correr sozinho numa prova em que dois pilotos largam com tantos metros à frente? Ou apostar as fichas numa peleja que pode terminar antes do previsto?

Essas são dúvidas que pairam sobre o pelotão que vai de Rodrigo Pacheco (PSD), candidato com um total de 0% das intenções de voto, a Sergio Moro (Podemos), que tem 6%.

Pelo cenário, nem que um dos candidatos da terceira colocação para trás conseguisse reunir todos os demais postulantes em uma frente ampla e improvável poderia ameaçar os dois favoritos.

Daqui em diante o desafio naquele bolo é mostrar ao eleitor quem é o candidato com mais chances de bater Lula agora e/ou num (hoje) improvável segundo turno. Isso requer outro cálculo: centrar fogo no petista ou no atual presidente?

Se for poupado agora, Bolsonaro, que tem a máquina oficial (e outras paralelas) nas mãos, pode crescer e assegurar e se reposicionar no jogo. Game over para os demais. Se a tendência for uma vitória petista no primeiro turno, a corrida se transformará numa grande disputa de todos contra Lula —e não em um referendo sobre o governo bolsonarista, como estava desenhado antes.

Diferentemente de 2018, Bolsonaro, hoje com 21% das intenções de voto, segundo o Ipec, terá na campanha um amplo espaço na propaganda de rádio e TV para atacar adversários, sem precisar necessariamente escolher um. Haverá botina para todos.

Um esboço de duelo com o petista já pode ser observado em declarações recentes sobre a anistia de dívidas de estudantes beneficiados pelo Fies. Neste item, Lula pediu truco e Bolsonaro gritou “seis”. Vai ser assim até outubro.

Nas cordas após um ano de notícias ruins, o presidente sabe que só terá chance de bater o petista se reverter a má fama entre determinados segmentos do eleitorado. Entre os mais pobres, também conhecidos como os mais prejudicados pela inflação e a recessão econômica produzidas pelo atual governo, Lula tem ampla vantagem (57% dos votos entre quem tem renda familiar de até 1 salário mínimo e 63% no Nordeste).

Nos próximos meses, a pesquisa poderá medir melhor o impacto do pagamento do Auxílio Brasil na avaliação do presidente e seu governo.

Hoje a gestão Bolsonaro é bem avaliada por apenas 19% dos eleitores e considerada ruim ou péssima por 55%. Nada menos do que sete em cada dez entrevistados dizem não confiar no presidente.

E tem mais. Realizada entre os dias 9 e 13 de dezembro, a pesquisa do Ipec, instituto comandado por antigos executivos do Ibope, mostrou uma lista aos entrevistados e perguntou em qual dos candidatos eles não votariam de jeito nenhum. Bolsonaro lidera disparado neste quesito, com 55% das menções –número suficiente para trancar qualquer possibilidade de reeleição. O índice de rejeição a Lula é de 23% e o de Sergio Moro, 18%.

Esta é a notícia mais animadora da pesquisa para o pelotão que vem (bem) atrás. No limite, o candidato mais bem posicionado do bolo poderá dizer que Bolsonaro, o segundo colocado, não tem chance de bater o petista na segunda fase da disputa e ganhar o voto dos eleitores mais pragmáticos que, a princípio, preferiam Bolsonaro.

Por conta da má avaliação do próprio trabalho, o presidente tem um furo no tanque de combustível que pode vedar ou não. Tudo vai depender do Auxílio Brasil e do sucesso da sua disposição em abrir a carteira para fidelizar a base e expandir seu grupo de apoio para além dos radicais.

Se conseguir, terá um pé no segundo turno.

Se não, corre o risco de ser ultrapassado por outro candidato à direita ou ver a disputa se encerrar já no primeiro turno.