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Saiba quem são os membros da igreja que usavam projeto missionário para atuar para facção em presídios de MT

Saiba quem são os membros da igreja que usavam projeto missionário para atuar para facção em presídios de MT

Segundo a Polícia Civil, o grupo se aproveitava da condição de missionários para ingressar em presídios, levar recados e praticar lavagem de dinheiro em benefício da organização criminosa.

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Reprodução
Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, além da filha do casal, Rhavenna Barcelos de Almeida, são alvos.
 

KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT

Os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, além da filha do casal, Rhavenna Barcelos de Almeida, são investigados por usar um projeto religioso para favorecer a troca de informações e lavar dinheiro para uma facção com forte atuação em Mato Grosso. Eles são alvos da Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil na manhã de hoje (16).

Ao todo, foram cumpridas 27 ordens judiciais, entre elas um mandado de prisão preventiva, expedido contra Rhavenna, e quatro mandados de busca e apreensão domiciliar. Também foram determinadas a quebra dos sigilos telefônico, telemático e bancário dos investigados, além da suspensão temporária do ingresso deles em unidades prisionais por meio de projetos religiosos.

Segundo a Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Rhavenna mantinha relações íntimas com um líder de facção atuante no Estado. Ela e os pais integram um grupo de uma igreja evangélica investigado por se aproveitar da condição de missionários para ingressar em presídios, levar recados e praticar lavagem de dinheiro em benefício da organização criminosa.

De acordo com as investigações, os membros da igreja ofereciam assistência religiosa aos detentos por meio de um projeto missionário, mas se aproveitavam desse acesso para prestar suporte operacional e facilitar a comunicação da facção. Conforme a Draco, o grupo extrapolava a finalidade da atividade declarada e utilizava o livre acesso ao sistema prisional para favorecer a aproximação, o apoio e a comunicação com lideranças da organização criminosa presas ou foragidas da Justiça.

Os investigados respondem pelos crimes de integrar organização criminosa, corrupção de menor, tortura e lavagem de dinheiro, em razão do recebimento de valores e da dissimulação da origem dos recursos por meio de triangulação financeira.

Apuração

As diligências começaram após uma denúncia anônima informar que integrantes de uma mesma família utilizavam um projeto religioso para entrar na Penitenciária Central do Estado (PCE) e, supostamente, entregar celulares, carregadores e outros objetos ilícitos a lideranças custodiadas no raio de segurança máxima.

Embora a entrega de celulares dentro da unidade prisional ainda não tenha sido comprovada, a análise de dados telemáticos, autorizada pela Justiça, revelou um conjunto expressivo de fotografias, vídeos, conversas e registros financeiros que demonstram que a relação dos investigados com presos, foragidos e integrantes da facção extrapolava a assistência religiosa.

Também foram identificadas conversas telefônicas com presos, intermediação de recados entre detentos e pessoas em liberdade, contatos frequentes com conselheiros da facção presos e foragidos, além da circulação de informações relacionadas ao ambiente prisional.

A investigação apontou ainda que integrantes do núcleo familiar recebiam valores atribuídos a presos e lideranças da organização criminosa, utilizando contas de familiares e de terceiros para realizar fracionamento de recursos, triangulação financeira, depósitos em espécie e sucessivos repasses.

Há ainda indícios de custeio de viagens, procedimentos estéticos e aquisição de veículos em benefício dos investigados, evidenciando, em tese, a prática de lavagem de dinheiro por meio da ocultação da origem e da destinação dos recursos.

Outro eixo relevante da investigação envolve viagens frequentes a uma comunidade do Rio de Janeiro. Integrantes do grupo estiveram na residência utilizada por um criminoso foragido, localizada em uma área dominada por uma facção, onde foram produzidos registros fotográficos e audiovisuais em meio a fuzis, pistolas, revólveres, carabinas e rádios comunicadores, alguns personalizados com referências à organização criminosa.

As imagens mostram evangelistas ao lado de lideranças da facção, foragidos da Justiça e pessoas responsáveis pela segurança armada dos criminosos. Também foram encontrados registros de crianças portando armamentos personalizados e fotografias dos próprios investigados manuseando diferentes armas de fogo.

As videochamadas também constituíram importante elemento probatório. Mulheres vinculadas ao projeto religioso mantinham contato direto com lideranças foragidas e pessoas armadas. Em um dos registros, um conselheiro da facção participa de uma chamada de vídeo enquanto um comparsa realiza disparos de fuzil em uma comunidade.

 

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