FRECA consolida economia criativa no Araguaia e compromisso com cultura acessível e inclusiva
Evento reuniu 55 expositores de segmentos que vão do artesanato tradicional à gastronomia regional

WANDERLEY WASCONCELOS
Semana7
A terceira edição da Feira Regional de Economia Criativa do Araguaia (FRECA) reafirmou, no último sábado (11), que investir em cultura também significa investir em desenvolvimento social, geração de renda e fortalecimento da identidade regional. Realizada na Praça Encontro das Águas, em Pontal do Araguaia, a feira transformou o espaço público em um grande palco de manifestações culturais, empreendedorismo e convivência comunitária, reunindo artistas, artesãos, empreendedores, famílias e visitantes em uma programação marcada pela diversidade e pela inclusão.
A FRECA consolidou-se como um ambiente onde cultura, tradição e inovação caminham lado a lado. Ao reunir 55 expositores de segmentos que vão do artesanato tradicional à gastronomia regional, o evento fortaleceu pequenos negócios, incentivou a circulação de renda no próprio território e deu visibilidade ao trabalho de quem faz da criatividade uma ferramenta de transformação econômica.
Por trás da realização está a Curicaca Criativa, responsável pela concepção e produção do evento. Entre os principais nomes da organização está a produtora cultural Anne Carmo, cuja atuação tem sido decisiva para consolidar a FRECA como uma das principais iniciativas voltadas ao fortalecimento da economia criativa na região do Araguaia.
Nesta terceira edição, destacou-se a preocupação da organização em garantir que a cultura fosse realmente acessível a todos. Em um cenário em que a acessibilidade ainda é tratada como elemento secundário em muitos eventos, a FRECA incorporou esse compromisso como parte central de sua organização.
Toda a programação contou com interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras), realizada pela intérprete Sirlene, permitindo que pessoas surdas acompanhassem apresentações, falas institucionais e atividades culturais em igualdade de condições. A estrutura também disponibilizou cadeira destinada a pessoas obesas e piso tátil para orientação de pessoas com deficiência visual, ampliando o acesso e demonstrando planejamento atento às diferentes necessidades do público.
A iniciativa reforça a compreensão de que democratizar o acesso à cultura vai além da oferta de espetáculos gratuitos. Significa pensar o evento desde sua concepção para que diferentes públicos possam participar plenamente das atividades.
Para Anne Carmo, esse resultado é fruto de um trabalho coletivo e da compreensão de que a economia criativa só se fortalece quando conecta pessoas e amplia oportunidades. "Ver a praça cheia, os expositores vendendo, os artistas ocupando o palco e as famílias vivendo esse encontro mostra que a economia criativa tem força quando recebe espaço e incentivo. A FRECA nasceu para conectar pessoas, fortalecer quem produz e mostrar que a cultura também movimenta a economia do nosso território", afirma.
Assessoria

A programação artística reforçou a riqueza cultural do Araguaia. O palco recebeu apresentações de Benone Jardim, reconhecido Mestre da Cultura Popular, além de Tae Ribeiro e Uirá Paiva, artistas que evidenciaram a diversidade musical da região.
O público acompanhou ainda a apresentação da Mestranda Sinhá e do grupo AMA Capoeira Vale do Araguaia, que emocionaram os presentes com uma roda de capoeira e demonstrações de maculelê, reafirmando a importância da preservação das manifestações tradicionais brasileiras. Encerrando a noite, o espetáculo Sonhos de um Palhaço, do projeto Araguaia Pão e Circo – Memórias no Picadeiro, levou teatro e arte circense à praça, proporcionando momentos de encantamento para crianças e adultos.
A valorização dos artistas locais também foi destacada pelos participantes da programação cultural. A cantora Tae Ribeiro ressaltou a importância de iniciativas que oferecem espaço para quem produz cultura na própria região. "É muito especial fazer parte de um evento que acredita na cultura produzida aqui. Quando o público prestigia os artistas da região, fortalece toda uma cadeia cultural e incentiva que novas histórias continuem sendo contadas através da música."
Já Benone Jardim enfatizou que iniciativas como a FRECA cumprem papel fundamental na preservação da memória e dos saberes populares. "A cultura popular permanece viva quando encontra espaço para ser compartilhada. Ver crianças, jovens e adultos reunidos em torno da música, da arte e das nossas tradições renova a esperança de que esse patrimônio continue passando de geração em geração."
Além da programação cultural, a feira demonstrou o impacto econômico que a economia criativa pode produzir nos municípios do interior. A comercialização direta permitiu que artesãos, produtores rurais, cozinheiros, artistas e pequenos empreendedores apresentassem seus produtos sem intermediários, fortalecendo a renda local e criando novas oportunidades de negócios.
Segundo Leila Soares, também produtora da Curicaca Criativa, cada edição representa um avanço na consolidação do projeto. "Cada feira traz novos desafios e também novas conquistas. Nesta edição, conseguimos reunir um número ainda maior de expositores e fortalecer ações de acessibilidade que tornam a FRECA um espaço cada vez mais democrático. Esse é um trabalho construído por muitas mãos."
O crescimento da FRECA evidencia uma tendência observada em diversas regiões brasileiras: a economia criativa deixa de ser apenas uma política de incentivo cultural para se consolidar como estratégia de desenvolvimento regional. Ao integrar cultura, empreendedorismo, turismo, patrimônio imaterial e inclusão social, eventos como a feira ampliam oportunidades para profissionais que encontram na produção artística uma fonte legítima de trabalho e renda.
Nesse contexto, a atuação da Curicaca Criativa, especialmente de Anne Carmo, demonstra que a organização de eventos culturais pode incorporar práticas voltadas à acessibilidade e à participação ampla da comunidade. A inclusão de recursos como Libras, piso tátil e mobiliário adequado evidencia uma produção cultural comprometida não apenas com a realização do evento, mas também com a ampliação do acesso à cultura.
Ao final da terceira edição, a sensação compartilhada por expositores, artistas e visitantes era de que a FRECA ultrapassou a condição de feira para se afirmar como um importante movimento de valorização da identidade do Araguaia. Além de promover apresentações artísticas e oportunidades de comercialização, o evento fortaleceu vínculos comunitários, estimulou a economia local e reafirmou que políticas culturais construídas com planejamento, participação e inclusão produzem impactos que permanecem muito além de um único dia de programação.
Realizada pela Curicaca Criativa, a terceira edição da FRECA foi contemplada pelo Edital Viver Cultura, Edição PNAB, em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel/MT), o Ministério da Cultura e o Governo Federal, reforçando o compromisso institucional com o fortalecimento da cultura, da economia criativa e da inclusão no Vale do Araguaia.

