Investigado por tentativa de homicídio faz publicação após soltura e gera repercussão
Investigado por tentativa de homicídio contra um idoso de 66 anos teria desrespeitado medidas impostas pela Justiça ao publicar frase considerada intimidatória nas redes sociais.
Redação com Notícia dos Municípios

A liberdade provisória concedida ao empresário Argeu Lemes de Campos Filho, de 31 anos, preso em flagrante por suspeita de tentar matar um idoso de 66 anos em Torixoréu, provocou forte repercussão entre moradores de Torixoréu (MT) e Baliza (GO). A indignação aumentou após o investigado publicar, poucas horas depois de deixar a prisão, uma mensagem nas redes sociais interpretada por familiares da vítima e por parte da comunidade como uma afronta à Justiça e uma intimidação indireta ao idoso.
Conforme a decisão da audiência de custódia, a Justiça concedeu liberdade provisória mediante pagamento de fiança de R$ 3 mil, determinou o uso de tornozeleira eletrônica, proibiu o investigado de manter contato com a vítima e estabeleceu distância mínima de 200 metros, além de outras medidas cautelares. O alvará de soltura foi condicionado ao cumprimento dessas determinações.
O caso ocorreu no dia 5 de julho. Segundo o boletim de ocorrência da Polícia Militar, Argeu teria perseguido o idoso Ivo Lopes Cláudio, de 66 anos, utilizando uma caminhonete Toyota Hilux. A perseguição terminou sobre a ponte do Rio Araguaia, que liga Torixoréu a Baliza. Ainda conforme o registro policial, o suspeito colidiu contra a motocicleta conduzida pela vítima e, após a queda, desceu do veículo e passou a agredi-la com um pedaço de madeira, causando graves ferimentos na cabeça. A ação só foi interrompida porque uma testemunha, parente do próprio investigado, interveio para impedir que as agressões continuassem.
Poucas horas após deixar a Delegacia, o investigado utilizou a ferramenta "stories" de seu perfil no Instagram para publicar a frase: "O que dinheiro, surra e tiro não resolver é porque foi pouco". A publicação foi registrada em ata notarial por um cartório de Pontal do Araguaia e anexada aos autos como forma de preservar o conteúdo divulgado.
Segundo o documento cartorário, a postagem foi feita em um vídeo no qual Argeu aparece servindo uma bebida alcoólica e vestindo uma camisa semelhante à utilizada no dia das agressões, circunstância que reforçou a preocupação da família da vítima.
Em novo depoimento prestado à Polícia Civil, o idoso afirmou que passou a temer pela própria vida após tomar conhecimento da soltura do investigado e da publicação nas redes sociais. Ele relatou ainda que ambos possuem propriedades rurais vizinhas e que, mesmo com a determinação judicial de manter distância mínima de 200 metros, teme novos encontros na região. O depoimento também registra que a vítima entregou às autoridades cópias da postagem publicada após a soltura.
A repercussão do caso gerou forte comoção nas duas cidades. Nas redes sociais, moradores questionam a eficácia das medidas cautelares diante da publicação considerada intimidatória e demonstram preocupação com a segurança da vítima.
Juristas ouvidos pela reportagem avaliam que, dependendo da interpretação das autoridades responsáveis pelo caso, manifestações públicas que possam representar intimidação, ameaça indireta ou descumprimento das condições impostas na audiência de custódia poderão ser analisadas pela Polícia Civil, pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário, inclusive para eventual reavaliação das medidas cautelares ou pedido de prisão preventiva, caso sejam constatados os requisitos previstos na legislação.
O inquérito instaurado pela Polícia Civil segue em andamento para apurar todas as circunstâncias da tentativa de homicídio e os fatos ocorridos após a concessão da liberdade provisória.

