PF prende ex-governador do Tocantins Marcelo Miranda
Polícia estima que grupo tenha causado prejuízos de cerca de R$ 300 milhões aos cofres públicos
DO UOL, EM BRASÍLIA
A Polícia Federal prendeu na manhã de hoje, em Brasília, o ex-governador do Tocantins Marcelo Miranda (MDB) por suspeita de corrupção. O pai dele, José Edmar Brito Miranda, e o irmão Brito Miranda Júnior também foram detidos. Os três são alvos de mandados de prisão preventiva (sem prazo).
Marcelo Miranda foi preso no apartamento funcional de sua mulher, a deputada federal Dulce Miranda (MDB-TO). A PF informou que ela não é alvo desta investigação.
A PF disse, em nota, estimar que grupo tenha causado prejuízos de cerca de R$ 300 milhões aos cofres públicos. O UOL ainda não conseguiu contato com a defesa dos suspeitos.
"Constatou-se que um núcleo familiar, composto por três pessoas influentes no meio político do Tocantins, sempre esteve no centro das investigações, com poderes suficientes para aparelhar o estado, mediante a ocupação de cargos comissionados estratégicos para a atuação da organização criminosa", disse a PF.
A corporação declarou que aproximadamente 70 policiais cumprem 11 mandados de busca e apreensão, além dos três de prisão preventiva.
Todos foram expedidos pela 4ª Vara Federal de Palmas e são cumpridos nas cidades tocantinenses de Palmas, Tocantínia, Tupirama e Araguaína, além de Goiânia (GO), Santana do Araguaia (PA), Sapucaia (PA) e São Félix do Xingu (PA).
Chamada de 12º Trabalho de Hércules, a operação, segundo a PF, visa "desarticular uma organização criminosa suspeita de manter um sofisticado esquema para a prática constante e reiterada de atos de corrupção, peculato, fraudes em licitações, desvios de recursos públicos, recebimento de vantagens indevidas, falsificação de documentos e lavagem de capitais".
Quem é Marcelo
Miranda Marcelo Miranda foi governador de Tocantins entre janeiro de 2003 e setembro de 2009, e, depois, de janeiro de 2015 até junho de 2018.
Ele foi cassado no último ano por abuso de poder político e econômico e arrecadação e gastos ilícitos de recursos na campanha de 2014. Em seguida, foi realizada eleição suplementar no estado.
A operação de hoje é desdobramento de antigas como a "Reis do Gado" (STJ, 2016), "Marcapasso" (4ª Vara Federal/TO, 2017), "Pontes de Papel" (STJ, 2017), "Convergência" (STJ, 2017) e "Lava-Jato" (STF, com delação firmada em 2017).
Em 2018, o juiz João Paulo Abe, da 4.ª Vara Federal de Palmas, abriu uma ação penal contra Marcelo Miranda (MDB) no âmbito da Operação Reis do Gado, que mira crimes contra a administração pública.