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Após novo Ipec, QG de Lula tenta evitar abstenção por vitória em 1º turno; bolsonaristas atacam pesquisas

Após novo Ipec, QG de Lula tenta evitar abstenção por vitória em 1º turno; bolsonaristas atacam pesquisas


Em post que cita o TSE, ministro das Comunicações, Fábio Faria diz que população 'vai cobrar fechamento' de instituto após as eleições. Em reservado, interlocutores admitem que 'não há bala de prata' para reverter cenário desvantajoso para o presidente.

Por Andréia Sadi

Apresentadora do Estúdio I, na Globonews, comentarista de política da CBN e escrevo sobre os bastidores da política no g1

Infográfico mostra resultados das pesquisas Ipec para eleição presidencial divulgadas entre 15 de agosto e 19 de setembro., — Foto: Reprodução/g1

Infográfico mostra resultados das pesquisas Ipec para eleição presidencial divulgadas entre 15 de agosto e 19 de setembro., — Foto: Reprodução/g1

Interlocutores do presidente Jair Bolsonaro (PL) aumentaram o tom dos ataques às pesquisas eleitorais depois de o novo levantamento Ipec, divulgado na segunda-feira (20), indicar que Lula oscila para cima, dentro da margem de erro, e ampliou a vantagem sobre o presidente no primeiro turno.

O petista oscilou um ponto percentual para cima e chegou aos 47% das intenções de voto no 1º turno. Bolsonaro se manteve com 31%. Com isso, a diferença entre os dois subiu de 15 para 16 pontos em percentuais em uma semana. Em 15 de agosto, quando terminou o prazo para registro de candidaturas, a diferença era de 12 pontos percentuais (44% a 32%).

Logo após a divulgação, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, fez uma ameaça ao Ipec por meio de sua conta oficial no Twitter. No imperativo, ordenou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que é responsável por regulamentar a divulgação de pesquisas eleitorais, anotar os números do levantamento e disse que, no dia da eleição, "a população vai cobrar o fechamento desse instituto".

Postagem do ministros das Comunicações, Fábio Faria, no Twitter: 'população vai cobrar o fechamento' do Ipec, diz texto — Foto: Reprodução/Twitter

Procurado pelo blog, Faria diz não ser contra o Ipec, mas que acredita que o instituto pode tanto acertar como errar.

 

"Saberemos quem vai estar certo no final. Nossas pesquisas de consumo internos [dão números] diferentes dos números [que estão] saindo."

 

Em reservado, um líder do Centrão alinhado com Bolsonaro foi na mesma linha – "as pesquisas estão uma pouca vergonha", diz – e afirma que, passada a eleição, o grupo vai agir para "regular pesquisas”.

A artilharia contra os institutos corre em paralelo à orientação contra o sistema eleitoral. Em entrevista no último fim de semana, Bolsonaro afirmou que se não tiver 60% dos votos no 1º turno – quase o dobro do que apontam os institutos de pesquisa hoje – "algo de anormal ocorreu no TSE".

E a subida de tom ocorre num momento em que o QG bolsonarista avalia não ter mais tempo – faltam 12 dias para as eleições – ou recursos para mudar o cenário de desvantagem do presidente, considerando que a redução no preço dos combustíveis, o arrefecimento da inflação e os benefícios sociais turbinados não surtiram o efeito esperado.

Bolsonaro tem cobrado uma solução da equipe, mas, como diz um interlocutor, "não tem bala de prata" – ao menos para o 1º turno. Por isso, a esperança é conseguir levar a disputa para o 2º turno para, então, tentar lançar um novo pacote de bondades.