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Comando Vermelho formou grupo intitulado “Deus acima de tudo” para vender drogas

Comando Vermelho formou grupo intitulado “Deus acima de tudo” para vender drogas


O grupo era usado para comercialização de LSD, cocaína e maconha, além de assuntos internos da facção

Um grupo de WhatsApp com integrantes do Comando Vermelho de Primavera do Leste (a 231 km de Cuiabá) tinha como nome "Deus acima de todos". 

A informação sobre o gurpo consta em decisão judicial do juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, um dos titulares da 7ª Vara Criminal de Cuiabá. O magistrado aceitou em fevereiro deste ano a denúncia do Ministério Público contra 16 membros do Comando Vermelho do município de Primavera pelo crime de organização criminosa.

O nome do grupo chamou atenção dos investigadores, que apuraram a formação da facção criminosa no interior de Mato Grosso.

De acordo com informações obtidas pelo Midiajur, o núcleo do CV de Primavera tinha diversos integrantes, que foram descobertos graças a quebra de sigilo de uma das suspeitas investigadas pela Polícia Civil. No celular dela é que foi encontrado o grupo, onde lideranças da facção se reuniam e conversavam sobre a comercialização de drogas.

O grupo de WhatsApp "Deus acima de tudo" era composto por lideranças da facção: os chamados "disciplinas" e os chamados "lojistas", um termo utilizado pela facção para indicar o ponto de venda de drogas, sendo mais conhecido como "boca de fumo".

Entre os administradores do grupo estavam integrantes que são responsáveis para determinarr o "salve" (ordens para cometer crimes e executar rivais ou integrantes que não obedeceram as regras da facção).

Já os responsáveis pelos "lojistas" tinham que pagar uma taxa mensal fixa para as lideranças da facção de Primavera do Leste.

As conversas no grupo eram sobre o tráfico, prestação de contas, movimentações financeiras e até avisos ou determinações das lideranças aos lojistas.

Entre as mensagens trocadas no grupo há a determinação de uma das lideranças do CV, um homem identificado como Anderson Pereira da Silva, mais conhecido na facção como "Mercúrio, GB, Japa ou Felip", proibindo um integrante de participar de festas promovidas pela organização enquanto não quitar uma dívida de R$ 300 com o fornecedor de drogas do grupo.

Em outra ocasião, uma das integrantes da facção, mulher identificada como Simony Alves Rodrigues, conhecida como "Simonão" ou "Cunhada Simony", aparece anunciando a venda de drogas (maconha, LSD, cocaína e outros) em vídeos.

Por risco a ordem pública, o juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra determinou a prisão preventiva de todos os denunciados.

"Embora seja certo que a gravidade do delito, por si só, não basta para a decretação da custódia, a forma de execução, a conduta do denunciado, antes e depois do ilícito, e outras circunstâncias podem abalar a ordem pública, impondo-se a medida como garantia do próprio prestígio e segurança da atividade jurisdicional. No caso em espeque, a ordem pública restou abalada, ante a gravidade concreta dos delitos praticados pelos integrantes da organização criminosa ora investigada, os quais, em tese, movimentam o tráfico de drogas na região de Primavera do Leste/MT", escreve o magistrado na decisão.

O caso segue em trâmite na 7ª Vara Criminal de Cuiabá, que é especializada para julgar crimes cometidos por organização criminosa.

 

 

ALLAN PEREIRA E LÁZARO THOR
Da Redação