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Promotor critica “xepa cuiabana” e vê faltas como falha de gestão

Promotor critica “xepa cuiabana” e vê faltas como falha de gestão


MPE ingressou com ação para impedir vacinação fora da ordem determinada pelo Ministério da Saúde

MidiaNews

O promotor de Justiça Alexandre Guedes, do Ministério Público Estadual

LISLAINE DOS ANJOS
DA REDAÇÃO MIDIA NEWS

O promotor de Justiça Alexandre Guedes criticou a Prefeitura de Cuiabá pela adoção da chamada “xepa cuiabana” no processo de vacinação contra Covid-19, apontando falta de organização nos grupos prioritários, ilegalidade e falta de transparência.

 

Na “xepa” adotada na Capital, são aplicadas em pessoas de 18 a 44 anos as doses que seriam destinadas a pessoas agendadas, mas que faltaram aos pólos de vacinação na data marcada. Até o início desta semana, mais de 9,5 mil pessoas desse grupo foram imunizadas.

 

A adoção dessa modalidade pelo Município se deu em razão da alta taxa de abstenção, que em alguns dias chegou a 50% na Capital. No entanto, na visão do promotor de Justiça, as faltas devem ser vistas como uma “falha de gestão”.

“Se falta comparecimento, é uma falha da gestão. A gestão tem que fazer os meios pra chamar gente. Tem lugar que faz até forró de vacina. Se pessoas estão faltando, a responsabilidade é do próprio gestor, não de terceiros”, disse.

 

“Cabe ao gestor convocar as pessoas e, se elas eventualmente não estão comparecendo por motivo a, b ou c, então isso é um problema que a gestão tem que resolver”, criticou.

 

O Ministério Público Estadual ingressou com uma ação judicial na semana passada cobrando que a Prefeitura promova a vacinação contra a Covid conforme preconiza o Plano Nacional de Imunização, seguindo as faixas etárias.

 

A ação tramita na Vara de Ação Civil Pública e Ação Popular, mas teve a liminar negada pela juíza Célia Vidotti nesta sexta-feira (16).

 

“Ingressamos com a ação para organizar os grupos de prioridades e para que não abra de 18 acima, de ‘grupão’. Que faça como São Paulo, que vai dividindo, porque tinha muita gente se queixando que havia pessoas de 40 anos não recebendo [doses], e gente de 18 anos vacinando”, afirmou.

Contrário à xepa, Guedes vê ilegalidade na ação, afirmando que impede uma fiscalização mais eficaz do sistema de vacinação diante da falta de critério na escolha de quem é o próximo a ter a vacina agendada.

 

“Entendemos que existe uma ilegalidade, porque isso reduz a previsibilidade, é uma fila que não está transparente. A pessoa não sabe porque que aquela pessoa específica de 19 anos foi chamada na frente de alguém de 41, por exemplo”, criticou.

 

“A falta desse critério, você colocar todo mundo em um grupo muito grande, o que não aconteceu em lugar nenhum, gera ainda mais imprevisibilidade, mais desprestígio para o sistema público de vacinação”, ressaltou.