Português Italian English Spanish

Pesquisadora vê abertura de patentes como solução para ampliar vacinação

Pesquisadora vê abertura de patentes como solução para ampliar vacinação


Márcia explica que, normalmente, essa suspensão demora alguns anos para que o dono da tecnologia consiga ter lucro e pague o investimento que fez

Na tentativa de reduzir o número de óbitos por Covid-19 e com a discussão global da suspensão de patentes de vacinas contra novo coronavírus, pesquisadores começam a pressionar o governo federal a iniciar negociação com outros países e, quem sabe, iniciar a vacinação em massa de forma mais rápida no país. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ainda é contra a suspensão de patentes.

Nos Estados Unidos, Joe Biden tem sido um dos defensores da abertura de patente. No começo do mês, o governo anunciou o apoio a medida e pretende discutir o assunto com a Organização Mundial do Comércio, o que surpreendeu, já que a decisão favorável de abertura de patentes nunca havia ocorrido na história do país até o momento. Foi a primeira vez que os Estados Unidos se colocou favorável à suspensão de direitos de propriedade intelectual.

Para a médica infectologista e professora da Univerdade Federal de Mato Grosso (UFMT) Márcia Hueb, a suspensão de patentes é interessante porque gera uma transferência de tecnologia para outro laboratório que identificou um princípio ativo e tem a tecnologia para a produção do produto final, a vacina.

Vitor Ostetti/ Midia News

Marcia Hueb

"Com isso, outros locais poderiam aproveitar esses princípios ativos para produzirem as próprias vacinas. Normalmente, essa suspensão demora alguns anos para que o laboratório dono da tecnologia consiga ter lucro e pague o investimento que fez na pesquisa", explica Hueb.

Em nota assinada pelo Itamaraty e pelos ministérios da Economia, Saúde e Ciência e Tecnologia, o governo Jair Bolsonaro (sem partido) elogiou a proposta dos Estados Unidos de defender a abertura de patentes de vacinas da Covid-19, mas ainda não se movimentou neste sentido.

“O governo brasileiro recebeu com satisfação a disposição dos EUA para negociar, no âmbito da OMC [Organização Mundial do Comércio], solução multilateral que contribua para o combate à Covid-19, bem como para intensificar seus esforços, em conjunto com o setor privado e demais partes interessadas, para aumentar a produção e distribuição de insumos e vacinas em âmbito global”, disse trecho do documento.

A pesquisadora da UFMT detalha ser de suma importância que haja uma negociação imediata do Governo Federal com outros países, porque o país vive uma situação extremamente grave e precisa de vacinação em maior quantidade e de forma rápida. Até o momento, apenas 18,3% da população foi vacinada com a primeira dose e 9% com a segunda. Márcia ressalta que seria a oportunidade de se produzir vacinas em larga escala pelo mundo.

No âmbito público, a doutora ainda acredita que não importa de onde venha a vacina, desde que sua eficácia seja comprovada e proteja mais vidas. "A vacina é a grande arma que nós temos associadas a outras soluções não farmacológicas que a gente já conhece", como o isolamento e a higienização efetiva.