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Fiocruz diz que MT negligenciou Covid e prevê 1,2 mil mortes

Fiocruz diz que MT negligenciou Covid e prevê 1,2 mil mortes


Epidemiologista afirma que gestores do Estado tomaram medidas isoladas e fizeram uma disputa

Reprodução

O epidemiologista Diego Xavier, que expôs dados alarmantes sobre Mato Grosso

CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO MIDIA NEWS

Estimativas feitas pela Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz) apontam que já neste final de semana Mato Grosso deve chegar à marca de 1,2 mil óbitos em decorrência da Covid-19 e registrar 28 mil casos da doença.

 

A informação foi revelada pelo epidemiologista Diego Xavier, pesquisador do Laboratório de Informação em Saúde da fundação.

 

O boletim divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde na noite da última terça-feira (7) contabilizou 23.506 casos confirmados do novo vírus e 896 mortes.

 

“Temos observado que os números de casos estão dobrando no Estado em cerca de cerca de 11 dias e os óbitos se duplicaram em nove dias, o que é bastante preocupante. Se o comportamento da doença continuar desta forma é esperado que até o dia 10, 11 de julho estejamos alcançando cerca de 28 mil casos e em torno de 1,2 mil óbitos até o final de semana”, disse Xavier.

 

Tudo que estamos observando hoje em Mato Grosso é reflexo do que foi feito no passado: relaxamento sem cuidado, sem atenção, sem testar a população, sem saber onde vírus estava circulando

Em entrevista ao Jornal do Meio-Dia, da TV Vila Real, o epidemiologista criticou medidas de relaxamento social adotadas no Estado nas últimas semanas e disse que a doença foi negligenciada pelo poder público.

 

Xavier citou como um dos pontos cruciais para a escalada no número de casos e mortes pela doença as decisões discrepantes e a “guerra” travada entre gestores do Estado.

 

“Tudo que estamos observando hoje em Mato Grosso é reflexo do que foi feito no passado: relaxamento sem cuidado, sem atenção, sem testar a população, sem saber onde vírus estava circulando”, afirmou.

 

“A doença foi negligenciada por parte do poder público. A gente elege nossos líderes e líder é aquele que sabe para onde está indo e consegue levar outros com ele. Infelizmente, não é o que ocorreu aqui. A gente vê muitas medidas isoladas, uma verdadeira disputa entre municípios, governo Estadual, Federal e o vírus se aproveita exatamente disso para provocar esse dano incalculável na nossa população”, emendou.

 

Isolamento é fundamental

 

Ainda durante a entrevista, o epidemiologista reiterou a necessidade de as pessoas seguirem o isolamento social, especialmente nesse momento que Mato Grosso vive uma situação de colapso na saúde pública.

 

A ocupação em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) exclusivos à pacientes Covid, por exemplo, passa de 93%, restando menos de 20 vagas em todo o Estado.

 

“Dá para controlar esse aumento de casos tomando as medidas que são recomendadas: manter o isolamento social, usar máscara, abrir o comércio só o que for estritamente necessário, porque hoje o Estado atravessa o pior período da epidemia”, alertou.

 

“O ponto importante da quarentena é que quanto mais ela funciona, mais a população acha que ela é desnecessária. E não é. É preciso manter o distanciamento para que o sistema de saúde tenha um respiro para poder absorver esses casos graves que vão aparecer no Estado”, concluiu.